Pipoca da Rô
16 de agosto de 2017
A pessoa quando é trabalhadora e caprichosa - é. Ponto.
Encosto no carrinho de pipoca.
Carrinho bem "comunicativo". Pipocas separadas em compartimentos fechados: salgada, com chocolate, doce - colorida. Meu TOC agradece.
- Grande ou pequena, moça?
- Pequena (mas com oszóio no pacote grande).
- O pequeno é grande, moça. Eu explico, porque às vezes a pessoa se arrepende de pegar um muito grande... (sorriso e a mensagem oculta: "fica tranquila, vc vai matar a lombriga".)
Sacos de pipoca personalizados. Tudo que era de alumínio/inox brilhando. Enquanto ela servia "meu pedido", um rapaz se aproxima:
- Pode marcar pra mim?
Mostra um cartão pra ela. E eu dezóio no cartão.
- Desculpa, moça - ela me diz. Tem gente que não espera a vez.
- Tudo bem (meu anjo da guarda sabia que eu não resistiria). Eihm: o que é esse cartão que ele trouxe?
- Cartão Fidelidade
(Do carrinho de pipoca?!)
Sim, amigos. Depois de cinco sacos de pipoca marcadinhos no cartão, o sexto é grátis.
Ganhei um cartão. Ela ganhou uma cliente e minha admiração.

Blumenal
23 de julho de 2017
Gosto muito de conhecer lugares. Especialmente, as histórias desses lugares e das pessoas que primeiro chegaram.
(vou passeando com os dedinhos no Google...)
Hoje foi dia de conhecer Blumenau/SC.
Sou grata a Deus por poder conhecer e fico feliz por compartilhar tudo o que descubro e fico sabendo. Por isso, aí vão algumas descobertas:
- Blumenau era o sobrenome de um dos que primeiro chegaram;
- A fábrica da Hering é daqui 😜;
- A Vila Germânica (que aparece nas fotos da Oktoberfest) foi construída "recentemente", mas ainda há muitas casas em estilo enxaimel originais, erguidas pelos colonizadores alemães (são lindas!);
- Tem um rio que serpenteia a cidade e que, às vezes, ultrapassa as margens (já exagerou algumas vezes e acabou, inclusive, com a casa do sr. Blumenau);
- A igreja mais linda que vi aqui é Luterana;
- e, por incrível que pareça, hoje tinha Festa Italiana em Blumenau 🍝🍕🍷
Igrejinha da Barra
17 de agosto de 2017
Imagine uma comunidade católica (ou de outra religião) que resiste há: 259 anos.
Dois séculos e meio! É tempo, eihm?
Fomos à missa, ontem à noite, na conhecida igrejinha da Barra, em Balneário Camboriu. Vinha aqui quando criança. Ontem, logo na abertura da missa, alguém anuncia: “Hoje é a primeira missa em comemoração ao aniversário dessa capela”.
Ahhhhhh! Cruzei o portal do tempo.
Fiquei tentando imaginar quantas gerações já tinham sentado naqueles bancos. Quantos padres já tinham passado por aquele altar. Quantas vozes ecoando por ali ao longo de séculos.
- Dá licença?
Levantei do banco e fui tirar fotos.
A Igrejinha da Barra é, na verdade, a Capela Santo Amaro, que começou a ser construída em 1.758 (mil setecentos e...!!!!). A padroeira é Nossa Senhora do Bom Sucesso.
O prédio é tombado como patrimônio histórico. Nos fundos da igreja tem um sino que teria sido tocado, pelos escravos, até rachar – quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea.
Foi muito legal participar dessa missa, olhar as paredes bem grossas, as janelas antigas.... e a escadinha que leva para o mezanino e iria fazer Santos Dumont ter um ataque de “vontade de resolver” (pra subir, tem que por o pé de lado, de tão vertical que a escada é!).
Com vcs: a “Igrejinha da Barra”, os encantos do nosso Brasil e as heranças deixadas por nossos antepassados!
Pomerode
23 de setembro de 2017
Sábado ainda faz parte da semana, né?
Ufa! Então estou no prazo.
Prometi postagem sobre Pomerode/SC pra esta semana.
É o seguinte: vc passa Blumenau e "segue toooooda vida" por uma estrada. Dá mais ou menos meia hora de viagem. A tal da cidadezinha - de 30 mil habitantes - é uma graça! Coisa do povo alemão caprichoso, organizado, zeloso. Acreditam que tem ponto de ônibus com flores!?!?
Logo na entrada da cidade, conhecemos o restaurante (www.wunderwald.com.br). Não é publicidade disfarçada. Lemos sobre o lugar nuns sites e fomos conferir. Quem nos recebeu, tocando um gaita que não é gaita (kkkk é outro nome que não sei. Alguém me ajuda?) foi um senhorzinho com traje típico alemão que envolve o ambiente todo com a música bem característica! O imóvel é uma construção enxaimel. Pensa em algo curioso! E a comida é muito saborosa! Tem joelho de porco, marreco recheado, comida típica italiana e outras opções pra quem não é adepto do chucrute e dos salsichões.
No passeio pelas ruas, não vi muros altos... e graças a isso, nossa curiosidade quase nos faz entrar nas casas das pessoas. Pudera! Os jardins são impecáveis. As casas - mesmo as mais antigas - são super bem cuidadas e conservadas com amor. E um dos aspectos que mais me impressionaram: a quantidade de indústrias que tem na cidade!
- São 137 - disse o garçom do restaurante.
Eu vi a da Kyly (que inclui a marca Milon - de roupinhas lindas que gosto de comprar para o Pedro), a da Calesita (marca de brinquedos que tbm estão no acervo do Pedro kkk), vi tbm uma fábrica de queijo parmesão em bisnaga (?)... enfim, esse pessoal tem traços de empreendedorismo e inovação.
Pomerode tbm é famosa pelo Zoológico que tem. Ainda não tive oportunidade de conhecer, mas... quem sabe numa próxima?
Nós fomos com a intenção de conhecer a Rota Enxaimel. Pomerode é a cidade que mais tem casas nesse estilo de construção fora da Alemanha. Portanto: a Alemanha é aqui!!!!! A construção enxaimel é uma armação de madeira, sem pregos ou parafusos, "recheada" com tijolos de barro. Pensa na perfeição!? Por cerca de mais ou menos 15 km, numa área rural, é possível ver dezenas dessas casas, muitas históricas. Amei!
Bom, hoje dei uma geral sobre Pomerode, mas estou preparando postagens mais específicas. Espero que gostem!
Madre Paulina
30 de outubro de 2017
A cidade é Nova Trento/SC - terra da primeira santa brasileira.
E é tão perto!!!! (Ou relativamente perto, pra nós do Sul. Vc vai pelo BR 101 e entra num município chamado Tijucas, perto de Florianópolis. Dali, dá pouco mais de meia hora de viagem.)
Por essas terras cercadas de morros viveu Madre Paulina (que, na verdade, nasceu lá pras bandas de onde hoje é Itália). Ela veio menina para o Brasil.
A cidadezinha colonizada por italianos é agrícola. Ainda tem algumas casinhas antigas, oratórios centenários, vinícolas, casas que servem café colonial, queijos, salames...
Tudo isso foi se estabelecendo ao longo do que hoje é o caminho até o Santuário de Madre Paulina. Aí eu vou te contar: Santuário é Santuário, né? Solo sagrado. Ao descer do carro, vc já sente a benção. Parece que o ar é diferente, dá vontade de ficar descalço, sei lá... pede conexão.
A frase que mais gosto de Madre Paulina é mais ou menos assim: “não desista, mesmo que venham ventos contrários.” E não é que esses ventos vêm mesmo?! E como é difícil não desistir. Mas o testemunho dessa mulher que começou a missão num casebre doado e motivou a construção de um Santuário é prova de que Deus está conosco. Sempre. É preciso esperar, com fé, o vento contrário passar.
A missão de Madre Paulina foi de amor ao próximo. Era muito jovem ainda quando começou a cuidar de doentes, marginalizados, esquecidos, pessoas que davam nojo nos outros. Morreu vítima das complicações de diabetes, com algumas amputações.
Eu sei lá... vi umas freirinhas lá no Santuário, da congregação que ela fundou, que me pareceram não ser deste mundo. Fiquei com vergonha de tirar foto, mas tinha uma que sorria com os olhos, de cabelo branquinho, circulando entre o altar e a sala de bençãos que me deixou até em dúvida se era de carne e osso. O semblante iluminado, sabe?
Em volta do Santuário tem alguns pequenos museus com objetos e ferramentas usados pelos imigrantes italianos. Uma graça! (Pena que as pessoas riscaram muitas das coisas à caneta. Uma falta de respeito!)
O local é cercado por pés de bambus cheios de fitinhas que representam pedidos. Foi um passeio surpreendente!
E, pra finalizar, indicaram um restaurante chamado: La Bella Polenta. Sabe qdo vc entra sem imaginar o que está por vir? Pois, foi isso! Jardim impecável, divertido... Artesanato “caseiro” espalhado por todo lado e o jeito interiorano de ser. Comida em cima da chapa do fogão. A placa dizia: máquina de cartão com problema. Dei aquela recusada básica de quem tá com pouco dinheiro na carteira e a dona do restaurante:
- Se acomode, coma, não se preocupe. Amanhã vc deposita.
É Madre Paulina, seu legado permeia essas terras!
O Caminho dos Anjos
5 de novembro de 2017
11 mil habitantes. Colonização italiana. As casas são um pouco diferentes das deixadas pelos imigrantes alemães: são mais “quadradas”, com menos enfeites e penduricos, nem por isso menos interessantes. Há casas centenárias em Rodeio. Mas, pra chegar ao “Caminho dos Anjos”, é preciso deixar a cidadezinha e ir pra área rural.
É só subida! A estrada de chão é amarelada, diferente das de terra vermelha do oeste do PR. É estrada/um riozinho passando do lado/uma casinha histórica atrás da outra/ passarinhos dando o tom/árvores lindíssimas.... ah, a beleza do simples!
De repente: um anjo. Branco, de mais ou menos dois metros, segurando um “buquê de hortênsias”. Dalí a pouco: outro anjo. E mais um. Outro ali perto do laguinho. Um mais pra cima... até que se chega ao quintal da casa dos Notari.
Fico me perguntado o que leva alguém a fazer isso com o quintal de casa. Carlos, filho de seu Paulo (criador do “Caminho dos Anjos”) diz que o pai queria muito colocar uma imagem do Cristo Redentor no quintal. Trouxeram de Florianópolis. Um escultor finalizou. Depois, o pai achou que deveria incluir uns anjos... hortênsias...uma casinha para as pombas (que representam o Espírito Santo)...
Vou dizer uma coisa pra vcs: ele criou o próprio paraíso!!!!
Coisa mais deliciosa estar ali. Até pavão, disposto a abrir todas as penas da cauda tem.
O lugarejo é cercado por morros (até acho que dá pra chamar de montanhas), clima fresco e úmido, animais...
Logo adiante uma igrejinha construída 111 anos atrás, dedicada a Nossa Senhora de Lurdes. Belezura de lugar!
Carlos me contou que o pai, de 88 anos, nasceu naquela casa de madeira. Como o local virou destino de visitantes (até um ônibus encostou enquanto eu estava ali) querem transformar a casa numa pousada e estão construindo um pequeno restaurante com comida típica italiana logo ao lado. A ideia é abrir (o restaurante) antes do fim do ano. Ah, vou voltar!
Ele disse que no primeiro domingo de dezembro, às 9h30, tem missa no “Caminho dos Anjos”.
O paraíso escondido no horizonte de Rodeio/SC entrou pra lista daqueles lugares que me fazem amar esse nosso Brasil!
A Igrejinha Azul
14 de janeiro de 2018
É a segunda vez que esta igrejinha azul me leva pra perto. Mas, agora, um daqueles mistérios que mantêm igrejas de pé me surpreendeu.
Na primeira vez, de dentro do carro, na estrada de acesso à Brusque/SC (SC 486), achei que tava tendo uma miragem: uma igreja AZUL no meio da paisagem. Mas pensa num azul!!!!!
Fui pra perto.
São uns poucos quilômetros de estrada de chão até se chegar à igreja, no alto de um morro. Não tinha ninguém. Tudo fechado. O passeio rendeu umas fotos inacreditáveis e uma lembrança das boas! “Missas no quarto domingo do mês”, anunciava o cartaz bem desbotado. Me pareceu estranho. Não havia nenhuma casa por perto. Cadê a comunidade?
Neste fim de semana, passando de novo pela rodovia, lá estava a igrejinha. Quis mostrar pra minha irmã. Quando nos aproximamos, percebemos uns carros estacionados.
- Dá licença. Podemos entrar?
- Claro! Podem entrar. Desculpem, está um pouco desorganizado, estamos limpando a igreja...
Eram duas mulheres. Inês e Maristela. Uma mora em Ilhota (cidade próxima). A outra em Brusque (tbm perto).
- Apesar de não morarmos aqui, temos muito amor por esta comunidade!, disse Maristela.
Igreja São Sebastião.
Comunidade Rural Laranjeiras, pertencente à Itajaí.
Durante a conversa com as duas, a relíquia da paisagem começa a se encher de vida. Era como se cada informação que elas diziam acendesse um ponto luminoso dentro da igrejinha: “Fiz minha primeira comunhão aqui...”, “Não têm casas aqui perto, os fiéis vêm de longe”, “Quando tem missa, dá umas 80 pessoas”, “Uma vez, o padre chorou ao ver a igreja cheia...”, “não podemos deixar essa história acabar...”
Elas são a comunidade!
Elas, os maridos e os outros voluntários que estavam do lado de fora: cortando a grama, ajudando na limpeza do pavilhão, organizando a cozinha...
- Vai ter festa aqui no domingo que vem!, contaram.
Tinha mesa posta para o café da manhã dos fiéis que estavam trabalhando em prol da igrejinha. Bolo de nata, café, banana, pastéis... As mulheres seguiram “dando vida” à igreja:
- Nossas festas são bem conhecidas na redondeza. Servimos churrasco no espeto de pau...
- Sério? Ainda existe isso?
- Sim! É uma delicia! (eu imagino) Tbm tem salada, maionese, cuca. Tudo caseiro! No ano passado, vendemos 60 cucas, 200 churrascos, 100 espetos, 40 galinhas....
Jesus da misericórdia! A essas alturas, minha lombriga já estava descontrolada. Fui conhecer a cozinha (pensa num capricho), caminhei pelo pavilhão e, quando olhei pelas janelas enormes, vi uma sequência de montanhas capaz de derrubar o queixo.
- Moça, me disse Inês. Desculpe perguntar, mas... por que vc tá fazendo tanta pergunta?
- Sou jornalista e gostaria de ajudar vcs a divulgarem essa festa, porque o que acontece aqui é algo muito incomum para os dias de hoje. Pode ser?
Quando vi a igreja fechada, da primeira vez, sabia que aquele lugar merecia e postei as fotos. Agora, depois dessas conversas, tive certeza que a história pulsa aqui na Igreja São Sebastião, mesmo quando as portas da igrejinha azul estão fechadas. A festa é um jeito de manter a igrejinha azul plena, na paisagem, atraindo sempre mais gente pra perto.
Portanto, Inês e Maristela (e eu) convidam:
A Festa de São Sebastião é realizada só uma vez no ano. Será no domingo que vem, dia 21 de janeiro. Às 10h tem missa e, depois, o almoço com espeto de pau. Segundo as “guardiãs” da igreja, centenas de pessoas lotam o pavilhão. Se vc sentiu vontade de viver essa experiência é só avisar a Maristela: (47) 99997-8807. Ela vai ficar muito feliz em trazer mais gente pra perto.
Eu tbm!
Matriz de Itajaí
11 de fevereiro de 2018
O aspecto da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, em Itajaí, é um convite pra entrar.
É uma baita igreja!!
Parei bem na frente do altar e, quando olhei pra trás, a luz do sol parecia incandescer a rosácea posicionada na altura do mezanino.
- Uau!
Fui caminhando em direção aos fundos. Parei por lá e continuei fotografando.
- Vai bem ali no meio e tira foto desta pintura que está no teto. - a voz vinha do último banco.
Estranhei porque, DESTA VEZ, confesso que AINDA não tinha perguntado nada a ninguém.
- Pois é... Já vou me posicionar ali. - respondi meio baixinho.
O senhor sentado tinha um terço nas mãos. Dei uns passos e ele emendou:
- Também deveria fotografar a escultura de madeira maciça que está à esquerda do altar... É Moisés. Foi trazida pra cá na inauguração da igreja...
Eu estava disposta a não incomodar ninguém na igreja, mas ele me “provocou”.
- O senhor vem sempre aqui?
- Todos os dias. Pela manhã e à tarde. Rezo o terço de manhã e, à tarde, acompanho as missas. Faz 17 anos. Me aposentei e comecei a rezar, né? Pra arrumar um lugarzinho lá em cima. Ajudo a fazer incenso, fecho a igreja, entrego jornal, sou da acolhida, da comunhão... Cada vez que venho enxergo alguma coisa diferente aí nessas pinturas. Se tu olha daqui é uma coisa. Se vai um pouco mais pra lá é outra....
(Ai, ai, ai, ai, ai. Atiçou minha curiosidade. Agora aguenta!)
Seu Dilnei Périco é um desses personagens que a vida se encarrega de pôr no lugar certo, na hora certa, pra deixar um repórter feliz. Ele tem 76 anos. Mora em Itajaí há 37. Escolheu a igreja como segunda casa. Teria alguém melhor pra falar de um dos atrativos mais procurados pelos turistas? Não. Então, pode falar, seu Dilnei!
- A igreja tá com 62 anos que foi inaugurada. Foi inaugurada no dia 15 de novembro de 1955. Esta escultura de madeira está aí desde o dia da inauguração. Algumas das principais pinturas da igreja foram feitas pelo artista Aldo Locatelli. Ele tem muitas pinturas em Porto Alegre, Caxias, Pelotas (no Rio Grande do Sul). E as outras foram feitas por um artista chamado Sessa (Emílio Sessa), também do Rio Grande do Sul, mas, pelo que sei - disse ele - são todos os dois italianos.
- Posso tirar umas fotos do senhor?
- Pode.
- Entao, pode ficar como está.
- Tá bom.
Circulei um pouco pelos fundos da igreja. No último banco, seu Dilnei parece se posicionar bem no meio do caminho entre o “lá fora” e o altar. Ele é meio “igreja”, meio “morador”.
Faz o elo.
Muito linda a igreja de Itajaí. Muito interessante saber que essa igreja se renova diariamente diante dos olhos de quem olha.
Obrigada, seu Dilnei.
Zoológico de Pomerode
15 de fevereiro de 2018
- Vocês vieram pra conhecer o Zoológico de Pomerode?
Quem perguntou foi o garçom de um dos restaurantes da cidade mais alemã do Brasil, em Santa Catarina.
- Olha, na verdade não. Viemos ver as casas, os jardins... (tem postagem aqui 👇🏻 na página sobre isso: https://goo.gl/YJ9aMi)
- Ah, sim! Mas a redondeza inteira vem pra cá por causa do zoológico!
Nunca tinha ouvido falar de zoológico em Pomerode.
Fica bem no centro. A entrada é, de certo modo, pequena - o que me fez continuar pensando que um zoológico, numa cidade de mais ou menos 30 mil habitantes, não traria grandes revelações.
Primeira parada: viveiro do hipopótamo. Tem um laguinho e só dava pra ver os olhos e o focinho dele saindo da água de vez em quando, mas quando o bicho resolveu sair... Gente, é um bicho enorrrrme! Eu nunca tinha visto um hipopótamo na vida. E, pra me fazer "engolir" tudo o que eu poderia ter pensado em responder ao garçom, no Zoo de Pomerode não tem só um hipopótamo, tem uns 4 ou 5!
Segui - meio chocada.
No outro viveiro: anta (que eu já tinha visto no Refúgio Biológico de Itaipu), mas que não deixa de ser algo incomum para os dias de hoje.
Vira a esquininha e: pinguins. Pinguins, gente! Nadando, num espaço cercado por vidros, o que permite que se veja o movimento das patas, das asas, do corpo... SEN-SA-CIO-NAL!!! O Pedro, meu filho de 2 anos, estava em êxtase.
Aí vieram as cobras. Tem até cobra albina, com a pele branca e as manchas amarelas. Depois os macacos, onças, lontra, lobo guará, casuar, lhamas, furões, avestruz, pavão. Sério, é um passeio que te deixa sem acreditar. Claro que os animais são mantidos em cativeiro, mas em torno do zoo há montanhas que parecem deixar tudo menos "sufocante".
Pra finalizar, pasmem: vimos GIRAFAS, ELEFANTES, TIGRES, LEÕES, URSOS (o Pedro "viu" até a Masha escondida atrás de uma árvore - pais de crianças pequenas entenderão) E ainda tem tatu, flamingos, gavião, araras... Ufa!
Quando o passeio terminou, eu olhei pra trás e pensei: coisa mais deliciosa do mundo sermos surpreendidos assim. O Zoológico de Pomerode tem que ser conhecido e visitado por mais e mais pessoas. Há placas explicando sobre os animais, tudo estava muito limpo e organizado (e eu já voltei mais vezes, levando mais gente e estava sempre igual). Durante o passeio, tratadores e funcionários estão sempre dispostos a contribuir com alguma informação... "Esses elefantes são asiáticos, por isso as orelhas não são tão grandes...", "este macaco é bem velhinho...".
Quando saímos, parecia que um daqueles portais dimensionais estava se fechando atrás de nós. Um portal que leva para as coisas surpreendentes desta vida.
Se você gostou deste post, não saia sem curtir a página, assim, você fica conectado a todas as histórias que posto aqui. Se quer saber mais sobre o Zoo de Pomerode, acesse o site http://www.pomerzoo.org.br/
Botos de Laguna
4 de março de 2018
INACREDITÁVEL: BOTOS COOPERAM COM PESCADORES EM LAGUNA/SC
O interesse por visitar Laguna/SC surgiu porque a cidade abriga a casa onde viveu Anita Garibaldi. O que eu não poderia imaginar é que seguir o rastro dessa casa levaria a uma surpresa impressionante!
Laguna fica 120 km ao sul de Florianópolis, em Santa Catarina. O caminho até lá é encantador, porque, em vários trechos, se vê água dos dois lados da estrada: mar de um lado e lagoas enormes do outro.
Numa das principais praças do Centro Histórico: igreja católica - casa de Anita Garibaldi – cemitério – vários casarões antigos... Opa! Melhor dar mais uma volta antes de parar, pra ter noção do entorno. Surge, então, o “Museu Anita Garibaldi” (que não é a casa onde ela viveu).
O casarão é histórico. Piso original de madeira e tijolos de barro. As salas guardam objetos muito interessantes. Destaco o mastro do navio que trouxe Giuseppe Garibaldi ao Brasil e os distintivos usados por Anita. Além disso, há relíquias de guerra, utensílios que retratam os costumes dos últimos séculos, artefatos arqueológicos dos índios... e até a prensa em que foi impresso o primeiro jornal de Santa Catarina.
Do lado de fora, um guia turístico dá as coordenadas a um grupo:
- Depois vamos lá ver os botos...
- Botos?! - replicou uma das turistas.
E eu repliquei também, na minha cabeça.
Partimos, à procura dos botos. No caminho, subimos o morro onde tem uma imagem enorme de Nossa Senhora da Glória e de onde se tem uma vista maravilhosa da cidade. Aliás, atrás do morro, tem muito mais cidade do que eu imaginava!
- Moço! – chamei o picolezeiro. Ouvimos dizer que têm botos por aqui. Vc sabe onde dá pra ver?
- É aqui mesmo, ó! Ali onde estão os pescadores.
Estavam no canal que liga a Lagoa de Santo Antônio ao mar aberto. Vi uns 12 ou 13 pescadores enfileirados lado a lado, com água até a altura da cintura e tarrafas nas mãos. Havia um pedido implícito por silêncio. Me aproximei, devagar. Pés na água (gelada) pra ficar mais perto deles e entender o que estava acontecendo. Estavam na expectativa. Os olhares pareciam radares, na linha d´água. De repente, um som de burburinhos arranca comemoração: um boto surge! Uau!!!!!!!
Sobe e desce rapidamente. Os pescadores não se surpreendem. Apenas observam. Em seguida: mais um! E outro! Eu e os turistas que estavam ali, acompanhando, não conseguíamos conter a alegria por presenciar a cena. Eram sorrisos ocultos, celulares nas mãos, troca de olhares como que perguntando: “Vc viu?!?!” Eram uns dois ou três botos – também conhecidos como golfinhos do tipo “nariz de garrafa” – alternando aparições ali, a poucos metros de nós. Um pescador ou outro soltava uma brincadeira, gritava uma dica para o colega, tirava sarro do amigo. Mas, nós, na plateia, não nos atrevíamos a interferir. A cena era tão deles e tão intensa que qualquer palpite estrangeiro poderia trincar a sincronia.
Durante o fim de tarde, foram várias aparições de botos. Quando um pescador direcionava uma fala aos golfinhos (“Olha quem tá chegando!” “O que vc tá trazendo pra nós?”), parecia que o boto retribuía com piruetas na lâmina d´água. E lá ia a tarrafa pra água:
- Tcháááá!
Mais uma:
- Tcháááá!
Será possível que há, de fato, uma interação entre pescadores e botos?
Depois de algumas horas, os botos seguiram o rumo. Agora, as caudas emergiam mais, conforme se afastavam, seguindo o curso do canal. Os pescadores deram as costas pra água e começaram a sair, alguns com as tarrafas cheias de tainhas.
Pedro, meu filho, foi lá xeretar. Ganhou um peixinho (pensa na alegria!). E eu, não me aguentei:
- Os botos se comunicam com vcs? - perguntei a um dos pescadores.
- Na verdade, moça, conforme o movimento que eles fazem nós sabemos onde estão os cardumes. – explicou.
- Como assim? – insisti.
- Tem um movimento que parece o mesmo de quando um cachorro ou um gato vai dar um bote. Aí, sabemos que tem peixe ali. Às vezes, os botos parecem fazer movimentos circulares, cercando o cardume. Aí, sabemos que estão empurrando os peixes pra margem... – completou outro pescador, decifrando os sinais dos botos.
Wilson Francisco dos Santos, 66, na verdade é bombeiro aposentado. Contou que pesca, em Laguna, com os botos, há mais ou menos 50 anos, mas que os mais antigos já falavam sobre essa história de interação.
- Isso já deve acontecer há mais de 100 anos. – calculou.
- Quantos botos têm por aqui, atualmente?
- Ah, deve ter uns 50.
- 50!? E vocês sabem qual é qual?
- Claro! Conhecemos todos: tem a Princesa, o Batman, o Esparadrapo...
- Não creio... Mas, vcs acham que os botos sabem o que vcs estão fazendo aqui? – eu estava chocada!
- Sabem! Quando eles vêm e não tem ninguém aqui pra pescar, vão embora.
Muita gente compra peixe fresco, ali mesmo.
- Os botos vão voltar hoje? – perguntei ao Wilson.
- Pode ser que voltem. Às vezes voltam, às vezes não.
- Ô, Wilson, mas o que o boto ganha direcionando os cardumes de tainhas pra vcs?
- De uns 100 peixes, eles ficam com 2 ou 3, na verdade. A maior parte fica para nós.
Pesquisadores já apontaram que, para os botos, a vantagem é o fato de o cardume ser desfeito com o barulho das tarrafas. É que cardume unido, se protege.
Os botos pescadores foram declarados patrimônio do município de Laguna/SC em 1997. Já foram tema de documentário da rede britânica BBC, ilustraram inúmeras reportagens de televisão e dezenas de vídeos amadores de turistas. É uma interação rara, de acordo com o biólogo Paulo César Simões-Lopes, da Universidade Federal de Santa Catarina (http://www.laguna.sc.gov.br/pesca.php) que passou mais de um ano na cidade estudando o comportamento dos golfinhos para tese de doutorado. "Só há coisa ligeiramente semelhante no Rio Grande do Sul e na África."
Estar ali, a poucos metros de um fenômeno tão interessante e encantador como esse serviu pra uma coisa: pra me dar vontade de compartilhar essa história e incentivar mais e mais pessoas a conhecerem as raridades do nosso Brasil!
Ah, sim! Eu tinha ido até Laguna para conhecer a casa onde viveu Anita Garibaldi, mas o local estava fechado para restauração. Graças a isso, sobrou tempo pra ver os botos. Quando um personagem resolve roubar a cena, não tem contador de história que resista! Não deve ter sido por acaso. Tem muito mais pra ser contado sobre Laguna: a ponte Anita Garibaldi, o Farol de Santa Marta, as praias...
Panificadora e Confeitaria Bartz
25 de março de 2018
Dona Marlene, de 69 anos, não é a proprietária da Panificadora e Confeitaria Bartz. Nem teve a ideia de criar o negócio. Muito menos é ela que faz a decoração ou fabrica os produtos para Páscoa. Mas ela é, com certeza, a melhor pessoa para falar do irmão mais velho, Aníbal Bartz, por um simples motivo: reconhecimento.
Dezenas de pessoas esticam a viagem a Brusque para passar no Bartz e ver o que ele preparou para a Páscoa. O mesmo ocorre entre os moradores: todos querem ver como ficou! Aníbal não estava no dia em que fui visitar a Confeitaria Bartz decorada para a Páscoa. Mesmo assim, o mais é incrível é que ele sai, mas a presença fica. Acontece que tudo, absolutamente tudo o que está exposto, tem um toque do Bartz.
- Cu-co! Cu-co! – os relógios de parede, trazidos da Alemanha, indicam hora cheia.
Ah, sim. Os cucos também são ideia do Aníbal.
Nesta época do ano, o prédio histórico, na Av. Otto Renaux, 220, se transforma na toca do coelho da Páscoa. É sério! Ao passar pela porta de entrada uma cena encantadora se apresenta aos olhos. Os galhos secos estão tomados por flores, casquinhas de ovos pintadas, luzes, enfeites. É lindo no todo! E lindo nos detalhes também. Dá pra passar uns bons minutos entretido ali, entre palhas que se acomodam dentro de casquinhas, ovos decorados com cristais, pintados a mão, pêssankas, louças, almofadas, cri-cri, centros de mesa, peças de arte, itens de decoração, guirlandas... Ai, as guirlandas! Tenho um carinho especial por guirlandas. Remetem a algo de benção, de “seja bem-vindo”... Somos bem-vindos por toda parte, aqui. Também têm as cascas de ovos de avestruz e as casquinhas pintadas por uma vizinha chamada dona Ilda - que já faleceu.
- Como assim? Vocês ainda têm casquinhas feitas por ela pra vender?
Dona Marlene Bartz, na melhor performance do sotaque “catarina”, já tinha a quem atribuir a façanha:
- Sim! O Aníbal guardou várias!
- E quantas casquinhas vocês vendem, por Páscoa?
- Ah, não tenho nem ideia. Nós mal tínhamos colocado e a mulher levou não sei quantas dúzias.
- E quem teve a ideia de vender as casquinhas?
Lá vem a dona Marlene e seu amor fraternal:
- Meu irmão, quando criança, viu dona Ilda pintando e ficou encantado. Tem várias coisas que ela pintou aqui: as janelas, essas guirlandas que estão penduradas no teto... Meu irmão também pintava pra nós, desde que éramos crianças. Nós fazíamos os ninhos, pra vizinhança toda. Pra nós, ele fazia bem grande, assim, e enchia de ovos!
Dona Marlene cuida das receitas “cozinha adentro” – doces e salgadas. A produção recheia os balcões. O marido, Vilson Pavesi, de 66 anos, faz as vendas. Aníbal circula pela cozinha durante o ano todo por um bom motivo: fazer a pré-seleção das casquinhas de ovos.
- Ele escolhe antes de eu quebrar pra fazer alguma receita. Vê quais são as mais durinhas e me indica. Aí, eu quebro só um furinho, pra ele poder guardar e pintar, uma por uma.
Então, além das casquinhas pintadas por dona Ilda, têm as casquinhas feitas pelo Aníbal, também. Na área de vidro, fechada, o ambiente fresquinho preserva os chocolates. Lá fora, no pequenino e incrível jardim, coelhos e personagens da Páscoa perambulam pela grama e em volta do laguinho.
- Quem começou tudo foi minha irmã mais velha, que já é falecida. Foi há 75 anos. Aníbal tá tocando faz 42 anos – contou dona Marlene.
- Então eles trabalhavam juntos?
- Não. Ele é engenheiro florestal formado. Largou da profissão pra tocar isso aqui. Minha irmã abriu um mercado e não tinha quem tocasse isso aqui. Pra fechar, era pena. Aí, ele largou da profissão e veio pra cá. Eu estou com ele, aqui, há 35 anos.
Tudo aqui é muito tradicional. Dos produtos aos donos. Dona Marlene me trouxe à memória algo de que ouvi falar recentemente: respeito à hierarquia. Respeito a quem veio primeiro a este mundo. Na Panificadora e Confeitaria Bartz, as gerações se respeitam e, juntas, proporcionam uma das mais incríveis exposições de Páscoa que já vi: a que tem lugar para tudo e todos.
(sou grata ao meu amigo Renato Pruner, por ter me apresentado este lugar!
Chiesetta Alpina
6 de maio de 2018
Foi a promessa de uma “boa vista” que me levou pra cima do Morro Boa Vista, em Jaraguá do Sul/SC.
A caminho, vasculhando na internet, soube da Chiesetta Alpina - uma minúscula igreja construída num dos patamares do morro.
Sabe quando o tamanho da obra é simplesmente ‘na medida’?
A Chiesetta Alpina - ou Igreja Alpina - é uma homenagem recente aos imigrantes que se estabeleceram na região: “que nunca voltaram aos seus países de origem e que chegaram ao Brasil com uma única riqueza: a fé em Deus.”
Grande parte da população de Jaraguá é descendente de italianos. 🇧🇷🇮🇹 Juntos, brasileiros e italianos ergueram esse monumento. Há lindas obras de arte do lado de dentro. O altar é singelo e belíssimo! Mas tudo fica melhor ainda quando se espia pela janela!!!!
Lembrei do meu vô, Generino Ferrari, que tanto esforço fez para resgatar a história de nossos antepassados. Só assim para termos noção do sacrifício que fizeram. A Chiesetta Alpina representa minha homenagem e minha reverência a todos eles que se espalharam por paisagens como a que a gente vê lá de cima!
(Mais informações no site: http://chiesettaalpina.org/)
O coroinha da comunidade São Pedro
2 julho de 2018
O convite veio pelo Face. Ana Maria queria que eu conhecesse a festa em homenagem ao padroeiro São Pedro, numa comunidade, no interior de Itajaí. Pedro é o nome do meu filho. Convite fácil de aceitar.
Fui muito bem recebida pela irmã da Ana Maria (porque ela estava trabalhando na cozinha). Dentro da igreja, a imagem de São Pedro estava rodeada pelos símbolos que lembram que ele foi o homem de confiança de Jesus e que deixou de pescar peixe pra pescar gente. São 3 dias de homenagens. Os padres e as equipes da catequese relembram a trajetória do homem que esteve com Cristo a todo tempo e que teve momentos de fraqueza tbm.
Mas o que eu não conseguia era tirar o olho de um dos coroinhas.
Menino pequeno. Cabelo super ajeitado. Óculos. Roupinha impecável. Ele estava com sono: é inegável, mas o esforço que fazia para fazer tudo certo e participar da missa foi uma graça!
Conversei com Artur, no fim da celebração.
- Eu vi uma criança com essa roupa e falei pra minha mãe que eu queria fazer isso tbm.
Ele tem cinco anos. Me mostrou os gestos que tem que fazer, contou detalhes do serviço voluntário no altar da igreja e explicou que, mesmo com sono, teria que resistir porque, depois da missa, ainda viria a festa.
Artur fisgou a isca lançada pelo pescador de homens. E, com certeza, a família dele tbm. Estar a serviço do outro: seja na igreja, na comunidade, em casa, no trabalho é gesto de evangelização.
Gosto quando Deus usa personagens pra me ensinar.
Museu de Itajaí
5 de agosto de 2018
No Mercado Municipal de Itajaí - loja de artesanato local.
Na loja de artesanato local - um livro com histórias locais.
Muita gente tem o hábito de dar uma “assuntada” em livros: ler capa, contracapa, dar uma folheada. Tbm tenho. A escritora era uma pessoa que trabalhou anos no arquivo público de Itajaí.
- Moça, vou levar esse livro.
Do Mercado Municipal de Itajaí para o Museu Histórico de Itajaí. Olhei. Olhei de novo:
- A senhora, por acaso escreveu um livro?
É de não acreditar, mas tenho testemunhas. Não é que encontrei a autora do livro que comprei no Mercado Municipal minutos antes, bem ali na entrada do Museu?!
Dulceclea Marcolino da Silva, autora de “Memórias do Sertão” é uma das muitas “atrações” do Museu, responsável pelas boas-vindas.
Nas salas, os personagens dos quadros contam histórias. Vídeos antigos trazem o passado de volta. Imagens em 360 graus recriam cenários em que viveram os antepassados da região. Nada é estático, o museu te convida à interação e a fazer parte de tudo. Uma maquete em papel machê recria a Vila de Ithajay - uma graça!
Tudo me pareceu interessante: desde a pemba (já tinha ouvido falar? Eu ainda não: peça de giz usada em cultos afro-descendentes) até objetos antigos doados por moradores como porta-níquel, caixa de cigarros, óculos, instrumentos de comunicação, secador de cabelo...
Vi ainda peças de navios, fotos... Tudo muito organizado e bem cuidado. O próprio prédio do museu, Palácio Marcos Konder - de quase 100 anos, é super interessante!
Fim: não vou ficar dando spoiler
Sítio Vida Nova
29 de outubro de 2018
No Sítio Vida Nova se come flor, a casca do ovo é tingida de violeta e dá pra beber água em qualquer torneira (até no chuveiro!). Tem osso de dinossauro, dá pra encostar no sapo e pé de amora nasce dentro do quarto!
Nesse lugar também acontece algo de sobrenatural ao redor da mesa da cozinha. Tem wifi, mas os celulares aquietam. Desconhecidos contam causos, mulher descobre os gostos do marido:
- Sério que vc gosta de queijo de colônia com salame?
E, a cada passo de tempo, algo novo é servido ou mostrado: caldo quente de batata cará, trigo triangular (sarraceno), doce de casca de limão, queijo curtido no vinho, folhas nutritivas...
Dona Luzia fica sempre numa mesa próxima ao fogão, batendo ovos, sovando massa de pão... Tá sempre com as mãos esbranquiçadas de farinha.
E tem o momento em que as crianças podem participar. Pedro ganhou pau de macarrão e esticou massa. Sujou as mãos e o rosto com farinha (a roupa tbm!). Viu os ingredientes se transformarem no próprio alimento. Fez massa de pizza.
Queria de chocolate.
Nessa hora, eu concluí que existe um calabouço secreto na cozinha do sítio, porque, não só tinha chocolate lá, como bolinhas prateadas pra enfeitar!
Os ovos usados na pizza, Pedro tinha recolhido mais cedo, com seu Luiz, no galinheiro. Homem de conversa comprida, mas sempre em tom baixo, agradável. Quantas histórias ouvimos e quanto aprendemos com ele!
Seu Luiz sabe explicar o sentido do nome de cada um dos animais - que vivem em paz, suprindo a casa dos humanos apenas com o necessário. Se a Mansinha, a única vaca do sítio não está bem, dona Luzia larga os afazeres domésticos, vai tirar leite assim mesmo (para aliviar o ubre) e dispensa o leite – por causa do efeito do antibiótico.
É respeito que se diz?
Seu Luiz fala do dia a dia deles na roça. Trata os visitantes urbanóides com o carinho de quem tem orgulho de explicar como as coisas funcionam longe das máquinas e do excesso de produtos químicos.
Há tanto pra contar que é melhor nem entrar em detalhes sobre a casa do seu Luiz e da dona Luzia, apresentada pra nós pelo filho, Flávio (um excelente mestre cuca e com conexão especial com as crianças!). Móveis e objetos alemães, relógios antigos, jogo de xadrez sempre a espera de quem chega, relíquias do Oriente, da África, objetos antigos de coleção...
Eu recomendo!
*O Sítio Vida Nova faz parte do projeto Acolhida na Colônia. Fica na cidade de Presidente Nereu, em Santa Catarina. Entrei em contato pela FanPage deles e não posso deixar de agradecer à queridíssima Kiria Meurer, que mostrou essa preciosidade no Globo Repórter – onde ouvi falar do sítio pela primeira vez!
Eremitério
15 de abril de 2018
No topo de uma montanha, no interior de Santa Catarina, conseguimos acessar um lugar quase que secreto e surpreendente! Um espaço de silencio, contemplação e muita fé. Um local inimaginável que permite um contato com você mesmo e com Deus! Fiz um vídeo para compartilhar com vocês essa descoberta que encheu meus olhos e meu coração.
Museu Arquidiocesano
21 de agosto de 2021
Certa vez, durante uma viagem à cidade de Brusque, em Santa Catarina, meu amigo Renato Pruner comentou sobre a existência de uma Bíblia do ano de "mil quinhentos e pouco" no Museu Arquidiocesano, que também já havia funcionado como seminário.
Guardei aquela informação no meu "arquivo de boas lembranças" e, numa outra viagem em família, fui ao museu para conhecer e filmar a tal Bíblia. Minha maior surpresa foi descobrir que este livro sagrado e raríssimo era apenas uma das preciosidades guardadas por este lugar.


















































































































































































